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terça-feira, 29 de março de 2011

Será que realmente estamos ajudando a natureza fazendo a reciclagem? No exemplo acima, dá para perceber que não. No entanto, as pessoas acham que fazer reciclagem das embalagens dos produtos que consomem ajuda o meio ambiente. As campanhas na mídia influenciadas pelo comércio altamente lucrativo de basicamente dois tipos de embalagens de bebidas, latinhas de alumínio e garrafas PET contribuíram para iludir as pessoas e aliviar a consciência delas quando doam para o diretor da escola ou para os catadores aquelas sacadas de latas de cerveja consumidas nos finais de semana. Tem até escola pública que troca por nota estas latinhas de cerveja. Quanto maior a quantidade de latas, maior a satisfação das pessoas. Matérias e artigos sobre a tal reciclagem de latinhas de alumínio inundam os espaços em revistas e jornais reservados ao meio ambiente. Mas todos omitem o lado sujo envolvendo a reciclagem de latinhas de alumínio, como por exemplo, os gases liberados e os resíduos altamente tóxicos (cancerígenos) da queima da tinta das latinhas no processo de fundição. Quando analisamos com uma visão mais ampla todo o processo percebemos que esta reciclagem de latinhas de cerveja não é diferente da reciclagem das ponteiras de pedra das flechas para poder matar mais bichos. Reciclagem de ponteiras de pedra da cultura Clóvis para obtenção de um artefato com outra finalidade, no caso um perfurador ou raspador. Foto e informações da página do museu da Western Artifacts – Clovis Points A prova de que isto é a pura verdade está nos dados dos próprios fabricantes de cerveja. O consumo de cerveja tem aumentado significativamente nos últimos anos e não para de crescer, fazendo com que a produção nacional das embalagens de latinhas de alumínio não atenda mais a demanda, o que obriga o setor a importar as latinhas vazias, em quantidades cada vez maiores (não é por falta do metal alumínio, mas a capacidade de produção). A mineração de alumínio, bem como o consumo de energia elétrica nunca diminuiu, aumenta sempre, sem parar. Quando entregamos estas latinhas para serem recicladas, a conclusão que se chega é que só estamos ajudando as cervejarias a vender mais cerveja. A natureza – e a humanidade - sofreriam menos impacto se as latinhas fossem prensadas e armazenadas para sempre em algum lugar especial, já que espaço para guardar lixo adequadamente não é problema, considerando as extensas áreas que as prefeituras aprovam todos os anos para implantar novos loteamentos, visando atender a demanda sempre crescente de moradias para a população que não para de aumentar. Assim, poderia provocar aumento de preço e reduzir o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, o que de fato contribuiria para ajudar o meio ambiente e a sociedade. Se a humanidade quiser continuar sua trajetória de buscar a felicidade, bebendo cerveja (com moderação) ou de outra forma mais saudável, vai ter que mudar de caminho. Os povos da tradição Umbu já nos provaram de forma trágica isso há 12 mil anos na Mata Atlântica. Viver de forma sustentável não é reciclar (afiar) as ponteiras de flechas para matarmos mais bichos, ou melhor, saquearmos a natureza para atender a demanda de consumo de uma população humana que aumenta cada vez mais. Referências sobre as ponteiras de flecha encontradas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo Fúlvio Vinícius Arnt, Marcus Vinícius Beber e Pedro Ignácio Schmitz, Instituto Anchietano de Pesquisas –Unisinos (RS). Os assentamentos líticos dos caçadores da Mata Atlântica em Taió, Santa Catarina. Novembro 2006

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PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde