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sábado, 10 de abril de 2010

DEUS EXISTE REALMENTE?

Se Deus existe, é evidente que Ele não cria coisas ruins ou imperfeitas. Ocorre, porém, que neste mundo existem muitas coisas ruins, tais como doenças, infortúnios etc. Então, algumas pessoas dizem: “Deus não existe”, e outras afirmam: “Este mundo não é real; é apenas uma sombra, uma imagem projetada”. Qual das duas afirmações é verdadeira? Os que negam a existência de Deus geralmente são considerados materialistas. Pode-se dizer que eles não conhecem bem o significado da palavra “Deus”. Parece que alguns deles têm a idéia equivocada de que o termo “Deus” designa um ser que possa ser captado pelos órgãos sensoriais do ser humano. Deus não é um ser cuja existência possa ser captada por meio da visão, da audição etc. Deus é Vida, é Sabedoria, é Amor. Podemos também dizer que Ele é a Lei que rege o Universo. Tudo isso é invisível aos olhos físicos. Mas seria um absurdo considerar inexistente tudo que não podemos ver ou sentir; pensar desse modo seria o mesmo que negar a base de nossa própria vida neste mundo. Conclui-se, pois, que não tem fundamento a afirmação de que Deus não existe. Quem teima em sustentar essa afirmação devia mostrar provas concretas de “inexistência de Deus”. Assim refletindo, concordamos com o segundo modo de pensar, ou seja, o de que os males, as infelicidades, as doenças e demais coisas negativas deste mundo não existem de verdade, sendo apenas aspectos aparentes. Então, por que razão doenças e infortúnios originariamente inexistentes aparecem como se existissem? Isso ocorre porque nossos órgãos dos sentidos cometem erros. Mas por que eles erram? Pelo fato de que nossa mente não aceita com docilidade o que é verdadeiro e capta-o de modo distorcido. Podemos comparar isso ao fato de que, olhando ao redor com óculos de lente colorida, vemos tudo com a mesma cor da lente; ou, vendo as coisas com uma lente distorcida, tudo parece distorcido. Quando a mente está tolhida por algo, não é possível captar os fatos e as coisas tais como são. A visão distorcida desaparece quando se desfazem o tolhimento e a distorção da mente. Como resultado, desaparecem rapidamente os aspectos imperfeitos tais como infortúnios, doenças, etc. Isso nos faz compreender que infortúnios e doenças não existem de verdade. Se existissem de verdade, não desapareceriam. Aliás, nem surgiriam em nós o desejo de fazêlos desaparecer. Nós, seres humanos, somos dotados de duas pernas e dois braços, e esse é o nosso aspecto natural. Por isso, não queremos perder nenhum deles. Mas se alguém nascer com uma terceira perna ou um terceiro braço, provavelmente desejaria extirpar cirurgicamente esse membro supérfluo, pois tal aspecto não é normal. E se alguém nascer com mais um dedo além dos cinco normais, certamente gostaria de eliminar esse apêndice o quanto antes. É natural querer eliminar o que não faz parte do aspecto original. Por isso, as pessoas desejam se livrar de doenças e infortúnios, que originariamente não existem. Da revista Hikari no Izumi (Fonte de Luz), ano XXXIX, 02/78, pp. 2-3

DEUS NECESSITA DE VOCÊ.

Deus é Amor. E é por meio do ser humano que o Amor de Deus se revela perfeita e conscientemente. Se não existisse o ser humano, o Amor de Deus não poderia se expressar perfeitamente. Por isso, Deus precisa de você. Se você não existisse, faltaria um canal de expressão de Deus, isto é, um ser dotado de individualidade, por meio do qual Ele quer Se manifestar. Por isso Deus necessita de você. Quanta honra o fato de ser uma pessoa indispensável para Deus! Quando se toma consciência disso, nasce a verdadeira alegria de viver, a convicção de que foi bom ter nascido neste mundo. O que devemos fazer como auto-realização de Deus O ser humano surgiu na face da Terra como auto-realização de Deus. Portanto, deve haver para cada um de nós, todos os dias, alguma tarefa vinculada a Deus. Somente o trabalho ligado a Deus pode ser considerado uma obra de real importância, que dá sentido à vida. Se queremos realizar trabalhos vinculados a Deus, devemos iniciar o dia com a oração matinal ou a Meditação Shinsokan matinal. Qualquer que seja o trabalho, devemos volver nossa mente para Deus e agir conforme a Sua vontade, assim como o gerente de uma loja administra o estabelecimento obedecendo à vontade do proprietário e os funcionários de uma empresa trabalham de acordo com a diretriz traçada pelo presidente. Quando volvemos nossa mente para Deus, Ele nos transmite a Sabedoria para levar avante o trabalho e nos preenche de fé e coragem para realizá-los. A oração diária renova a fé e a coragem. A atitude correta para trabalhar Deus é Força Infinita, e somente Ele é a verdadeira fonte de força. Você é filho de Deus e sua Vida é a Vida de Deus que se alojou em você. Portanto, se você se conscientizar disso e direcionar sua força vital para o lado correto, é natural que não surja nada para impedir a realização do seu objetivo. Já que sua Vida é a Vida de Deus alojada em seu interior, se você não agir de acordo com a vontade de Deus, poderá cair em contradição e fracassar na realização do seu objetivo. É essencial escolher um trabalho honesto e executá-lo com a postura mental correta. Não importam as críticas; deixe os outros dizerem o que quiserem. Procure realizar todos os dias um trabalho que, de alguma forma, contribua para o bem da humanidade (ou, pelo menos, beneficie uma ou algumas pessoas). Isso servirá para direcionar corretamente o seu trabalho e para manter correta a sua postura mental. Pessoas que transcendem as intenções da mente fenomênica O talento é uma excelente qualidade, mas não é tudo. Por mais que alguém tenha inteligência e força, se ele não conseguir atrair a simpatia e a confiança das pessoas, não poderá obter êxito. O êxito vem dessas qualidades, que nascem da relação harmoniosa entre as pessoas. Vendo as pessoas que parecem ter subido na vida sem fazer nada, os talentosos que não conseguem êxito tendem a invejá-las e a sentir-se injustiçados. Eles precisam perceber que o trabalho não consiste apenas na demonstração do talento ou da habilidade técnica. Existem pessoas que contribuem muito para o sucesso do grupo mesmo sem se empenhar para isso. São pessoas que, só pelo fato de estarem presentes, inspiram respeito e dá credibilidade à firma. Aqueles que têm talento não devem se queixar invejando as pessoas que exercem influência apesar da aparente inatividade. Os materialistas só se importam com as atividades de ordem material, e por isso tendem a se revoltar contra tais pessoas que, aos olhos deles, não fazem nada. Mas a inatividade dessas pessoas é apenas aparente. Na realidade, elas prestam grande trabalho, sendo o que são, ou seja, pessoas respeitáveis e confiáveis. Elas são como o pilar principal e o alicerce de uma casa. Para que todas as máquinas de uma fábrica funcionem bem, executando tarefas complexas, é essencial que a própria fábrica seja uma construção firme, com o alicerce e o pilar principal sólidos. O pilar principal e o alicerce exercem o trabalho da máxima importância, estando ali sem se moverem. O pilar e o alicerce devem ser sólidos e estáveis. Em outras palavras, devem garantir a harmonia do todo. A harmonia equilibra tudo, inclusive a vida das pessoas. Pessoas que não conseguem sucesso na vida mesmo tendo talento de sobra são, geralmente, as que não se harmonizam com os colegas, as que vivem se queixando, as que mantêm distância dos superiores temendo que, se forem amistosas com eles, poderão ser vistas como bajuladoras, ou as que tratam bem os subordinados, mas não são respeitosos com os superiores. Para alcançar a prosperidade, é necessário que o nosso propósito atenda à “tripla adequação”, isto é, esteja em conformidade com a pessoa, a ocasião e o lugar. “Tripla adequação” é um termo que expressa a grande harmonia. Precisamos levar uma vida harmoniosa, agindo corretamente conforme as pessoas com que lidamos, a ocasião e o lugar. Os jovens tendem a enaltecer a rebeldia e a conduta subversiva confundindo-as com o heroísmo e a coragem. Mas, atos rebeldes e subversivos violam o princípio de “tripla adequação” e quebram a harmonia. Às vezes, tais atos resultam em êxito temporário, mas nunca conduzem à prosperidade permanente. Toda rebelião provoca reação. Isso ocorreu também na União Soviética: todos os líderes do início da Revolução Russa foram banidos do país ou fuzilados. Convém deixar que as coisas se acomodem naturalmente em seus devidos lugares. Mesmo que alguém alcance a supremacia forçando a situação, acabará caindo; e, mesmo antes de isso acontecer, vive aflito temendo a queda. Os passarinhos cantam felizes no céu, e os grilos cricrilam felizes no meio dos capins. É inútil tentar fazer os grilos cantarem no céu.
Quando pressionado por muitos deveres, obrigações e tarefas, o ser humano consegue extrair a verdadeira força que traz dentro de si. Ao empinarmos papagaio (pipa), este sobe pelo so­pro do vento. Contudo, se não fosse a ação da linha, que o impede de subir desgovernado, ele seria levado à mercê do vento e acabaria se rasgando. A pessoa que fica demasiadamente eufórica di­ante de uma ótima situação financeira é como o papagaio que está bem alto mas que de repente é arrastado para lon­ge e fica estraçalhado. Às ve­zes, justamente por existir al­gum obstáculo para a ascen­são (assim como no papagaio existe a linha que o puxa para baixo) o homem conse­gue ascender de forma verda­deiramente correta. Quando pressionado por muitos deve­res, obrigações e tarefas, o ser humano consegue extra­ir a verdadeira força que traz dentro de si. Os grandes poetas Home­ro e Milton eram cegos. Dante Alighieri também, na velhice, tornou-se praticamente cego. Quando algo nos é tirado, alguma outra força, que esta­va adormecida, repentinamente desperta e vibra. Na situação de cegueira, a pessoa deixa de ver coisas e fatos ba­nais do mundo exterior que dispersam a atenção e, devido a isso, uma espantosa força que estava oculta no seu inte­rior desperta e entra em ação. Levar uma vida por demais confortável, sem dificul­dades, é como tentar polir uma espada com um chuma­ço de algodão; do mesmo mo­do que a espada não adquire assim o verdadeiro corte, a pessoa que leva uma vida fácil demais também não conse­guirá manifestar sua verda­deira capacidade. Por vezes, aqueles que se mostram nossos amigos não enxergam os nossos defeitos, ou, tentando nos favorecer ou agradar, ressaltam somente as nossas qualidades. Então, descuidamo-nos, deixamos de conhecer os nossos defeitos e, por conseguinte, não os sa­namos. Às vezes, aqueles que se apresentam como nossos ad­versários é que são os verda­deiros amigos. Como eles apontam defeitos que não ha­víamos percebido, podemos corrigir as nossas falhas. Mes­mo no jogo de xadrez, conse­guimos progresso quando en­frentamos adversários fortes, e isso ocorre porque eles ata­cam os nossos pontos fracos, os que ainda não havíamos percebido, e temos de nos esforçar muito para enfrentá-los. O essencial é não ficarmos acomodados, deixando-nos iludir pelas bajulações. “A vida não é como argila. Ela é como o aço, que deve forjado” – assim dizia Emerson. Não se deve subestimar a vida. Por mais habilmente que uma pessoa consiga interpretar textos, seus conhecimentos serão inúteis se não passarem de meras teorias, pois ao ser lançada na correnteza da vida ela poderá acabar naufragando. O monge Takuan assimilou verdadeiramente o zen quando atingiu o estado espiritual em que o caminho da espada e o do zen se tornaram um só e ele conseguiu vencer o exímio espadachim Yagyu Tajima. A vida não deve ser temida, tampouco subestimada. Dizem que, quando um professor de técnica de comércio se envolve em atividade comercial, em geral ele acaba fracassando. No caso de professor de religião, se ele fracassa ao se dedicar a um empreendimento é porque sua fé ainda não é verdadeira. Certa pessoa disse: “Se um empresário abraçar uma religião, seus empreendimentos crescerão; mas, se um religioso se dedicar a um empreendimento, nem sempre conseguirá êxito”. Essa afirmação contém uma advertência sobre a qual os religiosos devem refletir. Quem despreza a força do inimigo será por ele derrotado. Subestimar a vida é o mesmo que menosprezar a capacidade do adversário. A vida não deve ser subestimada, mas não estou dizendo que devemos temê-la. O que eu quero dizer é que o homem precisa conhecer a si próprio, o adversário, a hora e o lugar. Aquele que não conhece a adequação pessoa, lugar e hora será fatalmente derro­tado. Conhecer a pessoa, isto é, o ser humano, significa re­conhecer a capacidade e o temperamento próprios e também os do outro. Conhe­cer o lugar significa discernir se o lugar é adequado ou não para concretizar determina­da ação. Conhecer a hora sig­nifica saber se o momento é apropriado para agir ou não; uma diferença de dez minu­tos pode acarretar grande lucro ou grande perda numa transação comercial. Conhecer a adequação pessoa, lugar e hora – isso é ter sabedoria. O amor não é compaixão. Ter compaixão é ressaltar a dificuldade do outro e ofere­cer piedade com senti­mento de apego. Se a pessoa passar a enfatizar os seus problemas e ficar com o pensamento fixo na dificulda­de, não mais conseguirá sair da situação lastimável, devi­do à força do pensamento. A dificuldade jamais cons­titui infelicidade para a alma. Os maiores inimigos da alma são a preguiça e a covardia. Tendo vários caminhos para trilhar na vida, a maioria opta pelo caminho mais fácil, mas, na verdade, o caminho mais difícil é que conduz ao apri­moramento da alma. Um ca­minho plano e fácil, que não requer esforço ou sacrifício para trilhar, não contribui para forjar a alma da pessoa. Aceitar uma tarefa mais difícil do que a atual é o me­lhor meio para forjarmos a nossa alma. Da mesma forma que o nosso físico aumenta o vigor quando o treinamos com exercícios adequados, a nossa alma adquire maior força quanto mais enfrentamos questões difíceis. So­mente através desse procedi­mento o ser humano pode manifestar a força infinita de Deus com a qual já nascemos nes­te mundo. A felicidade dos jovens não deve consistir em sim­plesmente desfrutar as bên­çãos recebidas e levar uma vida cômoda em que nada de novo acontece. É preciso que os jovens, enfrentando e ven­cendo diversos problemas, desenvolvam a força infinita recebida de Deus que está latente neles. Logo, não de­vem fugir das dificuldades, mas também não precisam de­sejá-las, pois isso já seria cul­tuar o sofrimento. O que eles devem fazer é enfrentar as dificuldades corajosamente, considerando-as como pele­jas esportivas. Assim, mani­festar-se-á a força infinita do seu interior. Ao deparar com uma difi­culdade, você não deve pen­sar que aconteceu uma tragé­dia e considerar-se vítima. Julgando-se protagonista de uma tragédia e deixando-se levar pela autocomiseração, você acabará criando uma si­tuação ainda mais trágica. Se surgir uma dificuldade, ima­gine-se como membro de uma expedição que está se embre­nhando corajosamente numa densa floresta à procura de novas terras. Quanto mais densa e emaranhada a flores­ta, maior será a emoção da aventura. E será especial­mente grande a alegria ao sair da floresta para o campo. Dessa forma, você cultivará uma grande força, e deixará de sentir as dificuldades co­mo tais. Aquele que só almeja uma vida cômoda, que pensa estar manifestando a Imagem Ver­dadeira apenas porque está vivendo confortavelmente e deixa adormecida em seu interior a “força capaz de dominar as dificuldades” será tragado pelas ondas do mundo feno­mênico quando vier uma “tempestade”, pois não terá forças para enfrentá-la. Você não precisa desejar as dificuldades, mas também não deve fugir delas. Saiba que toda e qualquer tarefa ou responsabilidade atribuída a você é um meio que Deus lhe destinou para que a sua força interior se desenvolva. Portanto, o melhor meio para o aperfeiçoamento e engran­decimento pessoal consiste em enfrentar a tarefa e a res­ponsabilidade sem temor, com força total, agradecendo a elas. O surgimento de proble­mas significa surgimento de oportunidades de progresso. Se não houvesse problemas no mundo, ninguém se esfor­çaria para melhorar; assim os assalariados de baixa ren­da continuariam indefinida­mente nessa situação, lavado­res de pratos jamais deixari­am de ser lavadores de pra­tos. Se os homens do passado não tivessem mente sonhado­ra e espírito de aventura, a humanidade não teria alcan­çado o nível atual de progres­so. Avante, jovem! Acalente um grande sonho e encete uma jornada corajosa em busca de uma grande aventu­ra! Da Revista Mundo Ideal ANO II Nº 20.

PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde