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quinta-feira, 29 de março de 2012

Convivência e Evolução O homem, ao buscar a sociedade, obedece apenas a um sentimento pessoal, ou há também nesse sentimento uma finalidade providencial, mais geral? O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer, porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se estiola. (“O Livro dos Espíritos”, questão 768) Todos os seres e todos os elementos da Criação são interdependentes, ou seja, necessitam de convivência mútua, a fim de que possam dar e receber. Ninguém há que consiga viver sozinho, dispensando totalmente o concurso do outro. Assim, aprende a relacionar-te com os teus semelhantes, em indispensável permuta de experiências, no exercício de tuas faculdades intelectivas e morais. Se o Cristo não tivesse vindo à Terra, ensejando-nos a Boa Nova, que nos transmitiu com as suas palavras e os seus exemplos, até hoje nos encontraríamos em lamentável situação espiritual. O que seria de ti, se não houvesses frequentado os bancos escolares, aprendendo com os que, antes de ti, igualmente os frequentaram? Sem o salutar contato com o próximo que te possibilita aprender o que não sabes e transmitir a experiência que já entesouras no abençoado campo da Vida, não lograrias aprimorar-te em espírito, inviabilizando as conquistas da civilização, em que o homem, pouco a pouco, liberta-se dos resquícios do próprio primitivismo. Nesta linha de raciocínio, a presença do Mundo Espiritual, através da via da mediunidade, mais ou menos ostensivamente, impõe-se por necessidade lógica, em que encarnados e desencarnados se irmanam, já que a Evolução não acontece de maneira unilateral. Sem que mortos e vivos estabelecessem contato, substituindo-se uns aos outros em seus respectivos Planos de Ação ou, conforme dissemos, pelos canais medianímicos, tanto os que vivem no corpo como os que vivem fora dele haveriam de se condenar ao ostracismo, estagnando-se, indefinidamente, nas sendas do aperfeiçoamento. O convívio social, se é necessário de homem a homem e de povo a povo, não o é menos de mundo a mundo... Por esse motivo, os que atravessaram as fronteiras do túmulo não rompem contato com os que permanecem nas retaguardas da Vida Física, sendo muito natural que prossigam vivendo com eles em regime de interdependência afetiva e intelectual, em que, se transformando, fazem com que o seu habitat, ao redor, igualmente se modifique. Enganam-se quantos imaginam que os desencarnados nada mais tenham a aprender com os que mourejam no corpo de carne, pois para muitos que se emancipam dos grilhões da matéria densa, a dependência não se restringe aos vínculos da afetividade... Não é simplesmente por saudade dos que ficaram que os considerados mortos não se afastam dos caminhos que a seu lado palmilharam. O problema — transcendendo os domínios da dependência emotiva — extrapola para o campo da necessidade de continuarem contando com um ponto de referência compatível com o seu grau de lucidez espiritual. Raros os que, em desencarnando, conseguem, de imediato, posicionar-se com consciência do fenômeno neste outro lado da Vida; a maioria não dispõe de sentidos aptos para compreender a mudança de Plano que se consumou, integrando-se na comunidade dos Espíritos que se ajustam à nova realidade à qual foram conduzidos... O homem, encarcerada a mente ao imediatismo, não atina que as idéias que embalam todos os surtos de progresso — que, ao longo dos séculos, favorecem a Humanidade fazendo-a avançar —, saltam do vazio aparente para o seu cérebro. Por isso, concebe-as como inteiramente suas, quando lhe foram inspiradas por métodos que lhe escapam à capacidade de interpretação usual. Portanto, se desejas ampliar os horizontes de tuas percepções, não fujas à convivência com o outro que algo sempre poderá acrescentar-te, para que saibas mais do que sabes e venhas a ser mais do que és. Não menosprezes a capacidade de quem, à primeira análise, nada tenha para oferecer-te, na singela condição em que se te revela aos olhos. Recorda-te de que toda semente produz de acordo com a fertilidade do solo no qual seja lançada e não propriamente pelas suas qualidades intrínsecas, de vez que, sem gleba fecunda, a boa semente não passará de mera expectativa nas mãos do semeador. Quem se distancia da convivência com os semelhantes é como quem delibera, voluntariamente, afastar-se de sua melhor cartilha de lições na escola do mundo, da qual ninguém desertará, sem a ela voltar, mais tarde, no esforço de recuperar o tempo que se perdeu. Do livro: Segundo “O Livro dos Espíritos” Irmão José (Psicografia de Carlos A. Baccelli) Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/o-livro-dos-espiritos/segundo-'o-livro-dos-espiritos'/?PHPSESSID=ad253a586cb25be8271d585311e4f612#ixzz1qWJmzXhn

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PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde