Translate

segunda-feira, 5 de novembro de 2012



Ao longe essa luz sem brilho
Sobre mim a noite fria
Caminho ao longo desse trilho
Sem nunca perceber essa apatia
Corro para essa luz, sem pressa

Pois essa luz não cumprirá a promessa
É luz sem cor, sem amor nem calor
Luz sem apreço, endereço nem consideração
Fria ao toque, estática, pálida, sem compaixão

Para onde vou, para onde estou a ir
Não é solução, não é o que quero seguir
Essa ausência, essa indiferença, essa distância
Essa insignificância, sem importância da ignorância
Esta solidão, esta confusão e incerteza
Que me percorre as veias e me sufoca e agonia
Me mata e me destrói na dúbia certeza
Essa luz não é meu futuro, não é a felicidade
Algo tem de mudar, mesmo contra essa vontade

Nenhum comentário:

Postar um comentário

vocêsabeessa

PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde