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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Deus
Passei tanto tempo te procurando .
Não sabia onde estavas , olhava
para o infinito,
não te via .

E , pensava comigo mesmo, será
que tu existe?
Não me contentava na busca e
prosseguia.
Tentara te encontrar nas religiões e
nos templos .
Tu também não estavas .
Te busquei através dos sarcedotes e
pastores ,
também não encontrei.
Senti -me só, vazio , desesperado
descri .
E na descrença te ofendi.
E na ofensa tropecei .
E na queda senti -me fraco.
Fraco procurei socorro .
No socorro encontrei amigos.
Nos amigos encontrei carinho.
No carinho eu vi nascer o amor.
Com amor eu vi um mundo novo .
E no mundo novo resolvi
viver .
O que recebi resolvi doar .
Doando alguma coisa muito recebi.
E em recebendo senti -me feliz .
E ao ser feliz encontrei a paz .
E tendo paz foi que enxerguei.
Que dentro de mim é que tu
estavas.
E sem procurar-te
Foi que encontrei.

Chico Xavier

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PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde