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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Você já teve a sensação de que não pertence a esse mundo ?
É quando a gente olha para o que a maioria acha bom e não consegue enxergar a razão. Sabe quando é difícil achar graça do que faz a multidão gargalhar, bonito o que quase todos se impressionam e importante o que a maioria valoriza ?

Você vê as pessoas hipnotizadas diante da TV, desesperadas atrás de dinheiro, trombando umas nas outras, em atrito, desgaste, stress, e nem sabem a razão.

Pais tratam filhos como fardos, filhos olham para os pais como empecilhos, políticos olham pessoas como lixo que vota, pessoas olham políticos como salvadores da humanidade, religiosos veem seus fiéis como massa de manobra, fiéis veem religiosos como representantes de Deus na Terra, enquanto a mensagem que ecoa de todos os lados é : “Tenha” ,”Aparente”,”Compre, compre , compre”.

Veja os livros mais vendidos. São sempre os “não sei quantos passos para não sei o que lá”. “As não sei quantas receitas para ser feliz”, “Você pode ser “o cara” se fizer isso ou aquilo” . E assim, perdidas, ávidos leitores compram e compram e compram.

No meio disso tudo, gente sensível que não perdeu o olhar e, diante dessa loucura, sente como se não pertencesse a esse mundo.
Pois é. A verdade é que não pertence mesmo.

Existe uma diferença entre Terra e Mundo. A Terra é onde vivemos. O planeta azul que gira em torno do Sol. O Mundo é o que criamos a partir do nosso olhar.

Seu mundo só existe em você e se projeta em tudo o que vê. Só é possível discernir o mundo a partir de você mesmo, por isso, cada leitura da vida é uma confissão. Não há outro jeito.

E o que isso quer dizer?



Se você se sente fora de casa, se esse mundo não se parece em nada com aquilo que existe aí dentro e a sensação é de constante desconforto, saiba:
Ainda que não possamos eliminar esse sentimento por completo, temos uma escolha. Essa escolha permite que, ainda que as coisas sejam como são, você as interprete a partir de um novo olhar. Isso muda absolutamente tudo!

Esse olhar sabe como o mundo é, mas reconhece a necessidade de temperá-lo com o que você faz de melhor. Seja uma palavra, uma ajuda, um sorriso, o primeiro passo para uma reconciliação, um pequeno movimento que ajude as pessoas a despertarem.

Você muda todo mundo quando seu mundo, que é você, muda.

É aí que as coisas acontecem de verdade. Ainda que tudo lá fora seja uma loucura, ainda que cobradores apareçam em sua porta no domingo de manhã e tudo pareça uma completa insanidade, entenda, é o bom olhar que projeta no caos o equilíbrio e permite que nós, os “forasteiros”, façamos alguma diferença aqui.

O desafio é o equilíbrio entre o sentimento de não pertencer a esse mundo com a necessidade de conviver com ele, suas contradições e necessidades.
Até chegar o dia em que você definitivamente entenda que, aquilo que somos por dentro irradia a nossa volta e reproduz na existência o que nos habita. Seja para o “bem” ou para o “mal”, os acontecimentos vem e vão na medida que preciso enxergar, entender e amadurecer. Brigar com eles só me distanciará dessa condição. - flaviosiqueira.com

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PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde