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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Quem sabe um dia, a gente encontre alguém assim: que não queira carregar nada além de sonhos, que não tenha lembrança pra doer, mágoa pra recordar ou culpa para lamentar. Alguém que não se atormente pelo que poderia ser, e esteja agradecido sempre apenas pelo que se é. Quem sabe um dia, a gente encontre alguém assim: que não se importe com o que ficar para depois e que não lamente o que ficou para trás. Alguém assim: simples de coração, pronto para navegar por qualquer mar, para mergulhar em qualquer sonho sem ressalvas. Pronto para enfrentar qualquer vento sem medo de ser levado com ele. Quem sabe a gente encontra por aí, alguém com a receita certa para ser feliz sem precisar inventar tanta coisa. Que saiba ficar sem precisar
malabarismos, que não faça doer e nem o dia se acabar em tédio. Alguém cujo coração saiba doar sem precisar nada em troca. E que não se venda por qualquer trocado de desejo ou curiosidade. Quem sabe um dia a gente encontra por aí, alguém que fique além da superfície. Que ame profundamente além da máscara, além da maquiagem e de toda a farsa. Alguém que deseje verdadeiramente além do corpo. Que penetre além da alma. Que ouça além do que for dito. Que leia além do que está escrito. Quem sabe um dia a gente encontre alguém que fique só pelo bem querer, só pelo prazer de ficar. --------- Camila Heloíse

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PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde