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segunda-feira, 15 de julho de 2013

O BURRO E O BURACO

Um dia, o jumento de um fazendeiro caiu num poço. O
animal relinchou penosamente por horas, enquanto o
fazendeiro pensava o que fazer.
Por fim, o fazendeiro chegou à conclusão de que o poço
precisava mesmo ser fechado e, como o animal estava
velho, não valia a pena resgatá-lo.
O fazendeiro convidou seus vizinhos para ajudá-lo. Todos
pegaram pás e começaram a jogar terra dentro do poço.
No início, percebendo o que acontecia, o jumento
relinchava, desesperado. Depois, para surpresa geral,
aquietou-se.
Algumas pás de terra depois, o fazendeiro resolveu olhar
para baixo e ficou surpreso com o que viu.
O jumento sacudia cada pá de terra que caía sobre ele, e
aproveitava a terra para subir um pouco mais.
Enquanto os vizinhos do fazendeiro continuavam a jogar
terra no animal, ele a sacudia e subia cada vez mais.
Não demorou para todos se espantarem ao ver o jumento
escapar do poço e sair trotando alegremente.
A vida vai jogar terra em você. Todo tipo de terra. Para
sair do poço, o segredo é sacudi-la e aproveitá-la para
subir mais um pouco.
Cada um dos nossos problemas pode ser um degrau.
Sairemos do poço mais profundo, se não nos detivermos,
se não desistirmos. Sacuda a terra e aproveite-a para
subir um pouco mais.

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vocêsabeessa

PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde