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terça-feira, 31 de julho de 2012

A indústria da beleza dita em ritmo frenético o que é necessário para ser bem aceito nos espaços em que ela é fundamental. Mas o que é o belo? Será que o belo é mesmo o que está expresso nos outdoors e nos manequins de grifes famosas? Para um ocidental, submisso e imerso no capitalismo, os encantos dos shopping centers fazem todo sentido; todas aquelas vitrines o seduzem e obrigam a viver em comunhão com o frívolo. Parece que sua felicidade vem embrulhada num papel colorido de presente. Às vezes, nem percebe que é um indivíduo, um existente, pois se equipara àquilo que lhe gera uma provisória sensação de bem-estar.

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vocêsabeessa

PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde