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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

SAUDADES DE JESUS


Em se tratando do querido Francisco Cândido Xavier, relativo a tantos episódios narrados por interlocutores que com ele conviveram e puderam se deleitar com sua doce presença e momentos felizes e alegres, há um destes, que é narrado pelo confrade Adelino da Silveira.
Narra que se encontravam na residência de Chico Xavier numa daquelas fases em que seu estado de saúde não lhe permitia deslocar-se até o Centro… No entanto uma multidão se comprimia lá na rua em frente, quando o portão se abriu, a fila de pessoas tinha alguns quarteirões. Como de hábito, foram passando uma a uma em frente ao Chico. Eram pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais e dos mais distantes lugares do País.
Algumas diziam:
- Eu só queria tocá-lo…
- Meu maior sonho era conhecê-lo…
- Só queria ouvir sua voz e apertar sua mão.
Muitos queriam notícias de familiares desencarnados, espantarem uma idéia de suicídio.
Outros nada diziam e nada pediam, só conseguiam chorar.
Bastava uma simples palavra do Chico, seus semblantes se transfiguravam, saíam sorridentes.
Adelino da Silveira, diante do cortejo inigualável, e especialmente pela maneira como Chico atendia a todos ficou a pensar: “Meu Deus, a aura do Chico é tão boa… Seu magnetismo é tão grande, que parece que pulveriza nossas dores e ameniza nossas ansiedades”. Instantaneamente a este pensamento Chico se dirige ao confrade e lhe diz: Comove-me a bondade de nossa gente em vir visitar-me. Não tenho mais nada para dar. Estou quase morto. Por que você acha que eles vêm?
A pergunta inesperada deixa-o perplexo e momentaneamente emudecido e pensando: Meu Deus, frente a um homem desses, a gente não pode mentir nem dizer qualquer coisa que possa vir ofender a sua humildade (embora ele sempre diga que nunca se considerou humilde) e, logo recobrado do estupor diz ao Chico: “Quando Jesus esteve conosco, onde quer que aparecesse, a multidão o cercava. Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais e dos mais distantes lugares. Muitos iam esperá-lo nas estradas, nas aldeias ou nas casas onde Ele se hospedava. Onde quer que aparecesse, uma multidão o cercava. Tanto que Pedro lhe disse certa vez: “Bem vês que a multidão te comprime”. Zaqueu chegou a subir numa árvore somente para vê-lo. Ver, tocar, ouvir era só o que queriam as pessoas. Tudo isso passou pela minha cabeça com a rapidez de um relâmpago. E como ele continuava olhando para mim, conclui o raciocínio dizendo-lhe, acho que eles estão com saudades de Jesus”.
Conta Adelino que estas palavras foram tiradas do fundo do seu coração diante de um homem tão doce e amável que era, pois acreditava que elas não ofenderiam a sua modéstia.
Enquanto isso a multidão continuava desfilando a frente dele e todos lhe beijavam a mão e ele beijava a mão de todos. Lá pelas tantas da noite, quando a fila havia diminuído sensivelmente, o confrade Adelino percebe que os lábios de Chico estavam sangrando, pois, ele havia beijado a mão de centena de pessoas. Adelino da Silveira fica com tanta pena daquele homem, que já contava com oitenta e oito anos, mais de setenta dedicados ao atendimento de pessoas, e lhe pergunta: Chico, por que você beija a mão deles?
A resposta que recebeu o deixou ainda mais estupefato e admirando-o mais do que nunca, pois declara que a resposta marcou sua alma para a eternidade: Porque não posso me curvar para beijar-lhes os pés.
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PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde