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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Minha auto-biografia Fizeram-me em São Paulo e fui nascer em Minas Gerais, numa cidadezinha perto de Furnas, creio que nasci lá por um erro de cálculo, ou por um acaso, só sei que sou um produto inacabado e sem pátria. É verdade, não tenho pátria nem mátria, isso foi à principal coisa que me aconteceu. Querem que eu fale de mim? Mas eu sei tão pouco!Nem sei de onde vim, nem para onde vou. Querem detalhes? É complicado: sou uma incógnita instável e complexa, não tenho respostas só perguntas. Não sei falar de mim, prefiro que os outros falem. Dizem que sou forte,mas não sabem que minha força está nas minhas fraquezas, quando estou fraca aí é que me sinto forte. Minha idade?Tenho exatamente muiiiiiiitas horas de alegria, de tristezas, de momentos felizes e infelizes. Pensam que eu adoro falar. Mentira! O que eu gosto mesmo é de ler e escrever, mesmo assim dizem que não entendem meus escritos, que são confusos. Mas será que era mesmo pra entender? Confesso que nem mesmo eu as vezes me entendo. Sei que sou uma boa atriz isso lá... eu sou! Represento qualquer papel e ninguém percebe. Hann se alguém soubesse o que penso, o que sinto certamente eu seria desmascarada, execrada, apunhalada, taxada, estigmatizada, exilada... Eu sou assim mesmo (...) Afinal nasci de uma gozada É para levar isso a sério? Li Chaves

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vocêsabeessa

PRECONCEITO

MEUS AMIGOS Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde